quarta-feira, outubro 05, 2011

fazendo malabarismos para equilibrar a nossa vida

Logo Castilla Verde
Este é o novo logo da nossa fazenda, Castilla Verde, em Frómista (Palencia), España.
Nasceu pra representar o nosso trabalho em Biodinámica, o Homem no centro do universo, em harmonia com ele, criando e sendo criado pelas coisas que o rodeiam, pelo micro e macro-cosmo. Os diversos mundos em relação: mineral, vegetal, animal e Homem e o Universo. Tudo isso representado pela arvore da vida.

Cada vez que vejo este logo me surgem coisas diferentes na cabeça. A representação da ação do Homem em diferentes ambitos (social, cultural, natural...), ser espiritual, ser em-relação-com...

E hoje, pensando nas ultimas coisas que li de escritos de alguns amigos meus que vão passando por desafios intensos, e na minha própria trajetória confusa de vida e mi momento actual (parece que está durando séculos!), por não falar do momento mundial... vi este logo como um malabarista!

Isso é a gente tentando equilibrar tantas coisas na nossa vida: nossa saúde, nossos projetos, nossos anseios e medos... nossas frustrações, nossos desejos... nosso humor... equilibrando tantas coisas e fazendo isso com arte. De uma maneira, que parece que a propria arte de equilibrar é uma das finalidades no aprendeizado da nossa existencia. Como cantava Elis, a ESPERANÇA EQUILIBRISTA, sabe que o show de todo artista tem que continuar!!!

Uma mão levantada e conseguindo chegar ao universo, à iluminação, e a outra no pecado.

É tanto idéia, que a cabeça acaba aparecendo o centro de um aura de assuntos, e os pés num chão invisível, o nome de uma utopia que vai pouco a pouco se transformando realidade. Uma realidad que as vezes é luz, em outras confusão.

E você, artista? O que você vê?

quarta-feira, agosto 03, 2011

Agosto, a gosto de quem?

Un mes con calor, lluvias de verano, pocos conciertos, mucho jaleo, gente que viene y gente que va... trabajo, mas trabajo y mas trabajo... e las perspectivas las mismas.

Um mes que trabalhamos a gosto do cliente, dançando conforme a música e lutando para vencer o cansaço.

A natureza e os negócios vão timidamente dando e mostrando seus frutos, e a cabeça vai a mil, com as incansáveis horas de sol.

A melancolia de desejar o outono começa a aparecer, ao mesmo tempo que se acentua pensando que quando chegue, o recolhimento não será desejado e que a nostalgia do bom tempo o acompanhará.

E vamos vivendo com gosto, gostando do que vivemos, a gosto do cliente e a gosto nosso mesmo.

terça-feira, maio 31, 2011

A Mãe e a Vaca

Minha mãe veio me visitar este mes. Pasará um mesinho por aqui. Desta vez ficou hospedada em casa, na fazenda "Castilla Verde". É ótimo, temos muito mais convivencia num geral, e as crianças estão podendo ter uma avó realmente real - presente todo o tempo, e está uma curtição.

Desde que a Dona Marita chegou, fomos adaptando o cantinho que separamos para que se transformara no quarto dela. Ela vai, como uma heroína, adaptando-se à loucura da fazenda, às intermináveis horas de sol - e a falta de cortinas. As 6 da manhã já é de dia, e o dia dura até as 11 da noite. Se adapta também ao exceso de vida, gente, crianças e zum-zum... é verdade que também temos momentos de comtemplação, escutando o som das cigarras e das rãs no riacho.
Com um apanho aqui e outro acolá, fomos colocando lençóis e mantas que simulam mais horas de noite, garantindo umas horinhas extras de sono reconfortante.

Geralmente é o Pablo que ordenha, enquanto ajudo às meninas a preparar-se para a escola. Mas teve uma semana que assumi a tarefa (o Pablo foi pro Caminho de Santiago com a "Niña", a nova égua que conquistou seu coração). E um dia, que a mãe já tava pedindo ha tempos, ela veio comigo.
Tudo começou quando ela baixou as escadas, e voltamos pra cima pra dar um toque mais rural nas vestimentas.

Foi uma delicia poder compartilhar as minhas sensações e sentimentos da minha vida no campo com a minha mãe. Ela gostou e se sentiu (pelo que me contou) transportada a uma época na infancia, na qual ela compartia com os primos e tios uma vida no sitio. E pra minha surpresa, não demorou muito e já estava tirando bastante leite da Blanca Juana.

segunda-feira, março 01, 2010

Reunião Familiar


Sempre em torno a comidas...

Foi uma delícia a preparação, ir ao Ceasa com o tio Marcelo, a Sossô e a Luisa...

Andar pela feira, escolher a materia prima e pensar no que cozinhar.

Vôngole, camarão, shitake, shimeji, saladas, lula. Será suficiente para tantos comensáis? Ficou a dúvida.


No domingo, data do encontro culinário, chegaram todos com vontade de confraternizar. Risos, picar alho. Mais risos, limpar lula. Mais risos, põe água pra ferver. Um cigarrinho, e mais risos. E neste clima tão decontraído a comida foi sendo feita, com muitas mãos de ajuda, idéias e sujestões.


Foi ótimo. A mesa farta, a fraternidade e o amor nos nutriram o corpo e a alma. Umas quantas fotos do evento, que no final da história estiveram alguns, e os que não puderam vir estavam presentes no meu coração. Foi uma delícia o clima de união com os irmãos. Algumas fotos registraram o momento histórico de cumplicidade.


Não sei quando vamos voltar a nos reunir em torno a tanta culinária, mas espero que se transforme em ritual. Pelo menos, todas as vezes que vier, programarei outra comilança. Obrigada pelo alimento.

segunda-feira, setembro 07, 2009

As meninas

Ayla. Yara. Amanda. Muitos "A"s. Muito som.

Ocupam um espaço imenso tanto pelo ruído que podem fazer ao mesmo tempo, como com a ternura que evocam em meu coraçao.

Cada uma, tao única, que nao parecem que compartem a mesma genetica. Únicas na maneira de se relacionar com o mundo, únicas nos traços físicos.

Paso horas eternas com elas. Às vezes, disfruto cada segundo, olhando embobada cada gesto delas, cada frase, cada reaçao. As vezes, nao sou mae sufuciente porque o enxame de perguntas e de pedidos de atençao nao sao compatíveis com a letargia dos meus neuronios cansados.

Sao lindas. Agradeço todos os dias ao universo por te-las aqui comigo. Por poder compartir este dia mais ao seu lado, como mae - e as vezes orca!
Agora, com licença, que a Amanda acordou, e tenho que ir...

quarta-feira, agosto 03, 2005

A Horta


Horta - tomate cherry
Originally uploaded by Fernanda Freitas.
É verao e felizmente tem praia perto. Isso é: a sogrona levou as meninas de viagem a Santander – e estamos todos contentes!

Por primeira vez tenho tempo exclusivamente para as minhas coisas e posso colocar EU a prioridade em cada tarefa a cumprir. É bacana poder cozinhar tarde, dormir às mil para acordar quando o corpo mande.

Esse tema de férias, finalmente só, enfim sós (o Pablo e eu nem lembravamos quando foi a última vez que nao necessitamos pensar nos ruídos!!!)... merece um capitulo à parte. Minha inspiraçao vai hoje para as plantinhas...

Fazia tempo que a horta me reclamava. Tinha erva daninha por todo lado, as tomateiras precisavam ser capadas e atadas, as plantas de morango rogavam por água, as cenouras pediam espaço para se desenvolver, as abobrinhas gritavam por um pouco de extrato de própolis (pra curar um fungo), e a abóbora... essa nao estava gritando nada, mas agradeceu muito um pouco de água.

Depois da siesta (que eu dormi comedidamente) me deu uma vontade louca de ir à horta. Na verdade a vontade bateu forte enquanto dormia, e foi esse o propulsor que me arrancou da cama.

Lá estive um bocado de tempo. Me acalma e tranquiliza. O tempo pára e voa ao mesmo tempo – o mundo fica em suspenso e todo o meu ser se volta a atender o pedido de cada plantinha. Esqueço das horas e me divirto. Às vezes me pego falando com elas, e dou risada. Um expectador externo me julgaría louca (eu mesma, dependendo do papo que troco com as plantas me julgo!).

A cada dia que dedico um pouco de minha atençao e carinho, as plantas me respondem muito mais que em dobro. As tomateiras já começam a amadurecer seus frutos, as alfacem estao já pra ser comidas, as cenouras esperam ser tiradas da terra... e esta noite vai rolar uma salada-delícia com alface crocante, tomate cherry com gosto de tomate e cenourinha terna. Estao todos convidados!!!

Levo a horta como um hobby, um momento de reflexao, de estar tao acompanhada e só ao mesmo tempo. Nao me deixo atribular com o peso da produça ser eficienteo, com a perfeiçao da estética... já faz algum tempo que abri mao de ser extremamente CDF pra ter em troca um pouco de paz de espírito.

A horta é o gozo do verao. O grande presente da mae terra, só é preciso acariciar-la um pouco... acho que com palavras nao consigo transmitir a alegria de ver a horta se desenvolvendo, tomando corpo, doando-se inteira pra nós. O processo de cada planta, seu brotar, crescer, florir e frutificar. Sao milhares de formas e cores, cheiros e sabores. E tudo isso ao alcance da nossa mao.

Há 2 anos plantei uma flor de bulbo, o gladíolo. Nunca tinha florido. Este ano nos presenteou com suas enormes flores vermelhas, atraindo o nosso olhar instantaneamente. Por primeira vez estou de veras disfrutando trabalhar na horta. Acho também que é porque essa horta nao foi de responsabilidade compartida. Desde o principio as redeas vieram à minha mao. Se por um lado é muito bonito ver muitas pessoas trabalhando juntas, por outro é extremamente conflitivo tentar conciliar as opinioes e divergencias do grupo.

Essa horta está do meu tamanho e me desperta 1000 outras ideias de cultivo. E aqui tenho que parar. Paro. Nao ponho ainda em prática essas ideias porque (as peças que o destino nos prega) me mudo - quando finalmente me fiz amiga da terra desta casa, das suas peculiaridades, das suas sobras e faltas... E lá na fazenda tenho que começar do zero, estudar onde e como planejar a horta. E se tudo vai bem, já colocar em andamento a horta de inverno (couves, repolhos, acelgas, etc.)

Nao há dia que vá lá que nao pense na horta. Já estou ruminando a idéia, digerindo informaçoes de drenagem, humedades, declives. Tenho dentro de mim esse trem de coisas, descarrilhado. Com vontade de colocar as coisas em prática.

Pouco a pouco, como se diz aqui. Essa semana vamos fazer a casinha do Lucas – o nosso mais novo inquilino – um patinho. Ele será o primeiro a povoar o galinheiro. Depois virá, provavelmente, a preparaçao de um terreno para a horta de inverno.

É gostoso poder planejar minha vida de acordo com o que eu gosto. Desenhar as coisas através da minha miopía (já nao uso óculos), dar-lhes matizes de cores, formas e sombras. Ver o que estamos fazendo é, sem dúvida, conhecer o que temos por dentro – apesar de muito filosófica que tenha saido essa frase, eu tava pensando na realidade: a fazenda tem cada vez mais a nossa cara, está de acordo com o que acreditamos, com o que sonhamos!

Fico com muita vontade de poder compartir esse quadro com todos voces!
Beijos e até sempre! Nanda.

sexta-feira, julho 22, 2005

A Dor do Anjo

No diccionario Español-Portugués:
Duelo, s.m. dó;lástima; pena; luto; compate; peleja; luta; duelo.
Doler, v. intr. doer; padecer; sofrer.

Pois é… noutro dia tive a oportunidade de pensar na palavra duelo. Aqui se diz, quando nos dói algo: “me duele la cabeza”, por exemplo. Nao se diz “Yo duelo”, mas a palavra luto fala da dor que sentimos quando perdemos alguém ou algo que nos seja caro.

Na segunda passada tivemos a noticia que o pedreiro que nos ajudou na obra faleceu. Foi encontrado na sua casa por seus irmaos, morto, vitima de um derrame. Ultimamente ficava cansado facilmente e lhe doia muito a cabeça.

Era um pedreiro, e acho que seria bacana dizer que era O pedreiro.

Quando eu cheguei em Frómista faz já 3 anos, o Pablo trabalhava de peao de obra na reforma da casa do pai dele. E trabalhava com esse cara. Me lembro de ir visitar-lhes na obra e o cara falava comigo... e eu nao entendia absolutamente NADA do que dizia. Isso porque falava em “puebléz”, com esse dialeto das pessoas daqui, tao fechado como o povo mesmo. Foi com ele meu primeiro contato com a cultura local, com a lingua, com os costumes.

O Pablo se tornou um colega íntimo, acho que até podíamos dizer que um amigo do Ángel. Ángel, que em espanhol significa “Anjo”. E esse cara foi, em momentos interessantes um anjo nosso, que nos traduzia o comportamento da gente local – foi importante pra entender até mesmo a família do Pablo.

Ele se foi, provavelmente reunir-se com sua falecida esposa gávida de 8 meses – que se despediu deste mundo no nono mês de casados, fato que Ángel sempre levou presente consigo. Acho que está finalmente feliz junto a ela.

A gente dói; vive o duelo. A dor da perda deste amigo, companheiro de trabalho, confidente e tradutor das coisas daqui.

Que ele siga seu caminho, e a gente, sem ele, o nosso. Aqui deixamos nosso testemunho de uma vida dificil, doida mas que nos ajudou muito a nos incorporar nesta sociedade Fromistenha. Nosso agradecimento e tributo ao nosso Ángel!