quarta-feira, junho 15, 2005

O Circo


Hoje tem marmelada, tem sim senhô!

“Señorras y Señorres… u cirrco llegó a Frrómissta… A lass ocho horras el incrrível espetáculo de Frrancia… gratis una visita al zoo… trrapezisstas, malabarristas… a las ocho… el incrrível espetaculo de Frrancia…”

Ayla: “Mamá, mira los animales… ¡quiero ir al circo AHORA!
Eu: Vamos esta tarde, ok? Às 8, como está dizendo o sr...
Ayla: ¡No! Quiero AHORA!

E eu, como costumam ser as sextas-feiras estou no mercadillo (a feira de rua), fazendo as compras necessarias pra mas um sim de semana. Tento ir à peixaria.

Ayla: ¿Nos vamos al circo?

E assim foi, todo um dia, um longo dia esperando chegar a tarde para poder levar minhas filhas ao circo. Que emoçao... minha primeira visita ao circo, depois de tantos e tantos anos. Até parece uma outra vida. Lembro dos cachorro-quentes do carrinho, parece que até sinto seu cheiro. Lembro do fuzuê. E agora, aos 32 anos voltarei ao circo. Já vejo no olho da Ayla a magia do espetáculo, a espera pelo novo, a visao dos leoes, llamas, avestruzes... é, sem dúvida, um GRANDE acontecimento para as duas. Tenho que ir.

O dia passa devagar, parece que a angústia da Ayla vai me moldando. Nao acaba nunca o papo “e os leoes???” Consigo centrarme nas minhas tarefas diarias: cozinhar, dar de comer, almoçar... coisas do dia-a-dia. Nao é de se estranhar que as meninas tenham acordado TAO cedo da siesta: “Já tá na horqa do circo?”

Finalmente conseguimos entrar numa atividade que todos disfrutamos: eu cuidando da horta, e as meninas brincando de água na bacia. O clima está agradável, nao faz o calorzao dos dias anteriores. A terra está porosa, se deixa manusear com bastante facilidade. Um esforcinho a mais e termino de tirar as ervas-daninhas e preparo os surcos para transplantar as tomateiras. Pobrezinhas, já faz uma semana que estao ai, largadas neste cantinho. Necessitam terra senao vao morrer; se demoro muito mais em transplantar fico sem a quantidade de tomates que quero neste verao.

As meninas estao disfrutando, a horta vai bem... mais uma horinha e transplento as tomat... QUE??? Já sao 19:20???? E ainda nao banhei, nao dei jantar... nao preparei o “lanchinho” do circo??? Corre, corre, pra banheira (e as tomateiras que me perdoem...)

Banho, roupinha... de festa, claro, no final das contas é um grande acontecimento o circo no Pueblo e ainda mais... “o primeiro circo a gente nunca esquece”... (mesmo que o meu eu tenha esquecido....)

Amparo, uma chica que 1 vez a cada nunca vem ajudar com a casa me pergunta: ¿Que? ¿Y tu vas así, con ese vestido? Que va, guapa. ¡Cámbiate! Está lleno de tierra y manchas. ¡Ponte guapa, mujer!”

Maldita sea! Saio correndo, atrasada, louca de raiva de ter aparecido o grilo falante neste momento. Tomo banho e coloco roupa nova: 100% presente de aniversario. Tenho que convir com a Amparo que estou bastante melhor assim; encaixa com a fantasia do primeiro circo... a mamae lindona, andando com as filinhas ao circo... merendinha na bolsa, doces... e muita fantasia!

Chegamos. A meninada do pueblo toda por alí, brincando, vendo o casal de avestruz perto da carpa de espetáculos. Escuto um pessoal falando... e se dirigem a mim: “Nao vai ter sessao, estao começando a desmontar”...

QUE? Pois é, os franceses disseram que nao havia corum. Eramos poucos. Mas, se estávamos 100% das crianças do pueblo! (Tá bom, faltavam 1 ou 2 famílias, mas nao mais!)

Depois a galera nao sabe porque os franceses têm fama de mesquinhos, estranhos e... diferentes!

Bem, pensa rápido mulher, como esplicar pra Ayla que nao tem circo? Nestas horas a verdade é um santo remédio! Acho que explicar sempre as coisas tal como elas sao ajuda bastante a compreensao das crianças (pelo menos as minhas parecem entender e aceitar bem, se nao lhes dao mil voltas se nao douram a pílula). Contei que nao tinha circo, os moços estavam desmontando. Muito mal!

Nao voltei pra casa. Era demais da conta. Depois de tanto preparo sentia que tinha que fazer algo especial. Fomos à casa da Brenda, uma amiga, pra servir de “pograma”. Ficamos lá um pouquinho e voltamos a casa.

Já cansados fomos à cama. E dormimos. E aqui penso com meus botoes: “Tem um monte de palhaço neste mundo!!!”

Beijo a todos!

Um comentário:

disse...

Putz Nanda! essa história do circo me lembrou um dia q eu e o Paulinho decidimos levar a Ayla no Parque da Monica e chegamos lá e tava fechado... resolvemos levá-la pra ver uma florestinha de natal q tinha no mesmo shopping e... tava fechada... e aí decidimos ir pro Pinheiros, pra ela brincar no parquinho de lá e justo naquele dia resolveram podar as árvores do parquinho e também tava fechado!
a gente ficou arrasado! e a ayla só falava, num tom lamurioso: quero ir no parquinho, quero ir no parquinho... e qdo a gente explicava pq nao ia dar ela falava: quê? quê? quê? Nao importava a resposta...