quarta-feira, agosto 03, 2005

A Horta


Horta - tomate cherry
Originally uploaded by Fernanda Freitas.
É verao e felizmente tem praia perto. Isso é: a sogrona levou as meninas de viagem a Santander – e estamos todos contentes!

Por primeira vez tenho tempo exclusivamente para as minhas coisas e posso colocar EU a prioridade em cada tarefa a cumprir. É bacana poder cozinhar tarde, dormir às mil para acordar quando o corpo mande.

Esse tema de férias, finalmente só, enfim sós (o Pablo e eu nem lembravamos quando foi a última vez que nao necessitamos pensar nos ruídos!!!)... merece um capitulo à parte. Minha inspiraçao vai hoje para as plantinhas...

Fazia tempo que a horta me reclamava. Tinha erva daninha por todo lado, as tomateiras precisavam ser capadas e atadas, as plantas de morango rogavam por água, as cenouras pediam espaço para se desenvolver, as abobrinhas gritavam por um pouco de extrato de própolis (pra curar um fungo), e a abóbora... essa nao estava gritando nada, mas agradeceu muito um pouco de água.

Depois da siesta (que eu dormi comedidamente) me deu uma vontade louca de ir à horta. Na verdade a vontade bateu forte enquanto dormia, e foi esse o propulsor que me arrancou da cama.

Lá estive um bocado de tempo. Me acalma e tranquiliza. O tempo pára e voa ao mesmo tempo – o mundo fica em suspenso e todo o meu ser se volta a atender o pedido de cada plantinha. Esqueço das horas e me divirto. Às vezes me pego falando com elas, e dou risada. Um expectador externo me julgaría louca (eu mesma, dependendo do papo que troco com as plantas me julgo!).

A cada dia que dedico um pouco de minha atençao e carinho, as plantas me respondem muito mais que em dobro. As tomateiras já começam a amadurecer seus frutos, as alfacem estao já pra ser comidas, as cenouras esperam ser tiradas da terra... e esta noite vai rolar uma salada-delícia com alface crocante, tomate cherry com gosto de tomate e cenourinha terna. Estao todos convidados!!!

Levo a horta como um hobby, um momento de reflexao, de estar tao acompanhada e só ao mesmo tempo. Nao me deixo atribular com o peso da produça ser eficienteo, com a perfeiçao da estética... já faz algum tempo que abri mao de ser extremamente CDF pra ter em troca um pouco de paz de espírito.

A horta é o gozo do verao. O grande presente da mae terra, só é preciso acariciar-la um pouco... acho que com palavras nao consigo transmitir a alegria de ver a horta se desenvolvendo, tomando corpo, doando-se inteira pra nós. O processo de cada planta, seu brotar, crescer, florir e frutificar. Sao milhares de formas e cores, cheiros e sabores. E tudo isso ao alcance da nossa mao.

Há 2 anos plantei uma flor de bulbo, o gladíolo. Nunca tinha florido. Este ano nos presenteou com suas enormes flores vermelhas, atraindo o nosso olhar instantaneamente. Por primeira vez estou de veras disfrutando trabalhar na horta. Acho também que é porque essa horta nao foi de responsabilidade compartida. Desde o principio as redeas vieram à minha mao. Se por um lado é muito bonito ver muitas pessoas trabalhando juntas, por outro é extremamente conflitivo tentar conciliar as opinioes e divergencias do grupo.

Essa horta está do meu tamanho e me desperta 1000 outras ideias de cultivo. E aqui tenho que parar. Paro. Nao ponho ainda em prática essas ideias porque (as peças que o destino nos prega) me mudo - quando finalmente me fiz amiga da terra desta casa, das suas peculiaridades, das suas sobras e faltas... E lá na fazenda tenho que começar do zero, estudar onde e como planejar a horta. E se tudo vai bem, já colocar em andamento a horta de inverno (couves, repolhos, acelgas, etc.)

Nao há dia que vá lá que nao pense na horta. Já estou ruminando a idéia, digerindo informaçoes de drenagem, humedades, declives. Tenho dentro de mim esse trem de coisas, descarrilhado. Com vontade de colocar as coisas em prática.

Pouco a pouco, como se diz aqui. Essa semana vamos fazer a casinha do Lucas – o nosso mais novo inquilino – um patinho. Ele será o primeiro a povoar o galinheiro. Depois virá, provavelmente, a preparaçao de um terreno para a horta de inverno.

É gostoso poder planejar minha vida de acordo com o que eu gosto. Desenhar as coisas através da minha miopía (já nao uso óculos), dar-lhes matizes de cores, formas e sombras. Ver o que estamos fazendo é, sem dúvida, conhecer o que temos por dentro – apesar de muito filosófica que tenha saido essa frase, eu tava pensando na realidade: a fazenda tem cada vez mais a nossa cara, está de acordo com o que acreditamos, com o que sonhamos!

Fico com muita vontade de poder compartir esse quadro com todos voces!
Beijos e até sempre! Nanda.

2 comentários:

Paulo disse...

QUE DELÍCIA!

António Pinheiro disse...

Maravilha... também tenho a minha horta e já estou a ver o que vou plantar no inverno.